Postagens

A educação como um circuito

Imagem
Aprender e ensinar não são coisas distintas. Isso já foi abordado com maestria por Freire: "Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças que o conotam, não se reduzem à condição de objeto um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender." (Pedagogia da autonomia, 1996,p.27)
Obviamente isso é verdade para o ato autêntico de ensinar/aprender, o que não exclui a possibilidade de uma alienação deste ato; precisamente aquilo que o próprio Freire denominou de "ensino bancário." E não é esta a realidade da escola ainda hoje? E como profissionais que atuam na escola, em maior ou menos medida nos deixamos arrastar por esta tendência. 


É bastante comum que o ensino do professor em sala de aula se cristalize em um ato unidirecional e automático. Um ensinar que, sendo sempre o mesmo, não traz nada de aprendizado para quem o ministra. Um ensinar que se enferrujou nos mesmos exemplos, no excesso de exposição …

Reflexões sobre a BNCC

Imagem
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é o documento que estabelece os
novos alicerces para a educação básica no Brasil. Trata-se de um
"documento de caráter normativo que define o conjunto orgânico e
progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem
desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica",
segundo o site do MEC.


A novidade mais significativa é a proposta de reorientação dos currículos
das escolas públicas por meio do estabelecimento de um grupo de
competências e habilidades voltadas para uma educação integral.

Na semana passada as escolas estaduais de Santa Catarina tiveram uma
parada pedagógica destinada ao estudo e discussão deste documento, como
etapa preparatória para a futura estruturação de um novo currículo. 

Gravei em vídeo algumas reflexões pessoais sobre o tema: 

A primeira parte trata de uma inversão significativa no cenário das tentativas de inovação da educação pública.



A segunda parte reflete sobre as competência…

Dias e dias

Imagem
Sabe aquele antigo vídeo clip do Pink Floyd em que a escola é representada como uma esteira rolante na qual crianças com caras de boneco são conduzidas a um sinistro moedor, resultando dali uma massa uniforme?



Pois então, meu emprego na escola pública é "operador de esteira". E, semana após semana, enquanto vou ajudando a operar a imensa máquina fico sonhando com o dia em que os meninos e meninas vão despertar, decidir deixar de ser apenas mais um tijolo no muro e acabar me jogando no fogo junto com os escombros. Em verdade, eu tenho trabalhado para isso, sendo "no centro da própria engrenagem a contra-mola que resiste" - Primavera nos dentes

Porém, enquanto opero a esteira e alimento o sonho, também sei que todo esse movimento foi só um sonho na cabeça do menino revoltado em sua sala de aula, enquanto tudo segue como antes. E sei que o menino era eu...também.

Burocracia e Filosofia

Compartilho com os leitores do Blog de Filosofia da Unisul, o relato de um incidente que culminou na minha eliminação do processo seletivo para doutorado na Universidade Federal de Santa Catarina, neste final de ano de 2017.

Não se trata aqui de mera lamentação pública, mas de um caso que nos dá a pensar sobre os impasses constantes em nosso tempo entre o domínio da razão instrumental burocratizada e a dimensão do indivíduo e de sua existência. 



CARTA ABERTA

  À coordenação do programa de pós-graduação em Filosofia da Universidade de Santa Catarina.

  Venho por meio desta manifestar minha discordância e repúdio em relação à resolução do colegiado do programa de pós-graduação em filosofia por invalidar as provas de sete candidatos (mestrado e doutorado) desclassificando-os sumariamente do processo seletivo de 2017.

O fato
  No dia 4/12/2017 sete candidatos ao mestrado e doutorado em filosofia foram inicialmente impedidos de ter acesso ao local da prova, em virtude de um atraso que variou…

Caminhada para a Pedra Branca

A SÓKHRATES NO MORRO DA PEDRA BRANCA: O SOPRO DE UMA HUMANIDADE SOLIDÁRIA Carlos Euclides Marques
Neste final de semana passado, 26/11/17, um grupo de estudantes professores e, principalmente de membro de uma das culturas originárias desta Terra Brasilis, os Guaranis, subiram uma das trilhas que leva ao topo da Pedra Branca, no município de Palhoça, em Santa Catarina. Uma subida de mais ou menos uma hora dependendo do preparo físico daqueles que se embrenharam na mata por uma trilha, em certos momentos, íngreme, mas acolhedora. Sim, acolhedora, pois nos ofereceu sombra, a maior parte do trajeto, água fresca e potável em dois pontos. Prova do acolhimento dado pela natureza ao ser humano, dito civilizado, que nem sempre a retribui de forma similar. Já no caminho de ida antes da chegada à entrada da trilha, a prova de uma civilização, por vezes, avessa à Natureza: rasgos imensos cortam vales para dar lugar, futuramente, àqueles que, já faz tempo, Le Corbusier denominou “monstros da moderni…

Dicas de filmes

Dicas de filmes com sinopses envidas por Tiago de Araújo Castilho. Quando Nietzsche Chorou. O filme é baseado no romance de Irvin Yalom e conta a história de um encontro fictício entre o filósofo alemão Friedrich Nietzsche e o médico Josef Breuer, professor de Sigmund Freud. Nietzsche é ainda um filósofo desconhecido, pobre e com tendência suicidas. Breuer é procurado por Lou Salome (Kather Winnick), amiga de Nietzsche, com quem teve um relacionamento atribulado. Ela está empenhada em curá-lo de sua depressão e desespero, assim pede ao médico que o trate com sua controversa técnica da “terapia através da fala”. O tratamento vira uma verdadeira aula de psicanalise, onde os dois terão que mergulhar em si próprios, num difícil processo de auto-conhecimento. Trata-se de uma oportunidade para conhecer melhor o pensamento e alguns posicionamentos de Friedrich Nietzsche.
Disponível em: < https://www.youtube.com/watch?v=RMqIE5dUF9A> Sócrates “Sócrates”, mostra o final da vida de Sócrates …

A ARTE COMO REVELAÇÃO DO ESPÍRITO

Mais um dos bons trabalhos produzidos por estudantes do curso de Filosofia. Desta vez para a UA de Estética, Arte e História da Arte.

A ARTE COMO REVELAÇÃO DO ESPÍRITO
Antonio Geraldo Silva Santos
Asseverar que a arte “reflete uma visão de mundo, (e) como tal, configura uma das formas de conhecimento que revela o espírito de uma época”[1] exige ou um comprometimento intelectivo com o pensamento hegeliano, ou uma leitura menos específica do termo espírito, emprestando-lhe nessa hipótese um sentido de historicidade. Isso porque a ideia de espírito – incluindo o seu aspecto objetivo que se revela na historicidade, funda o pensamento fenomenológico de Hegel. Sinteticamente, Giovanni Reale, explicita a ideia de espírito em Hegel como sendo o retorno a si a partir de sua alteridade, a mais alta manifestação do absoluto e o autorrealizar-se e o autoconhecer-se de Deus (2005, p. 124). Este espírito, ainda segundo Reale, se revela em três momentos: (i) como espírito subjetivo, quando emerge da n…